Síntese biográfica do meu percurso em África durante a Guerra Colonial o0o Mobilizado como Furriel do QP, de 1965 a 1967 integrado na CArt 785/BArt786 formado no RAP-2, para prestar serviço na RMA – Angola, no Sub-Sector do Quitexe , Sector de Carmona, destacado na Fazenda Liberato, Fazenda S. Isabel e novamente Fazenda Liberato de onde regressei á Metrópole o0o Mobilizado como 2º Sarg. de 1968 a 1970, em rendição individual para RMA- Angola e colocado no GAC/NL em Nova Lisboa , Huambo, mais tarde transferido por troca, para Dinge em Cabinda integrado na CArt 2396/BArt 2849, formado no RAL.5, regressei no final da comissão a Nova Lisboa de onde parti para Lisboa, a bordo do paquete Vera Cruz onde viajei também na primeira comissão o0o Mobilizado como 1º Sarg. de 1972 a 1974 integrado na Cart3514, formada no RAL.3, para prestar serviço na RMA- Angola , no Sub-Sector de Gago Coutinho (Lumbala Nguimbo) província do Moxico, onde cumprimos 28 meses, em missão de protecção aos trabalhos de construção da “Grande Via do Leste” num troço da estrada Luso – Gago Coutinho – Neriquinha – Luiana. Regressei em 1974, alguns meses depois de Abril 1974, tal como na viagem de ida, a bordo dum Boeing 707 dos TAM,.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Rememorações

Com a devida vénia  permito-me  hoje  reproduzir neste blogue  um articulado da autoria de um antigo Camarada e Amigo, de seu nome Valentino Manuel Francisco Xavier Viegas que me fez refletir e muito sobre a Guerra Colonial  e as suas consequências em muitos dos seus ex-combatentes. Fui e sou um militar profissional fora do ativo,  mas  sempre fui uma pessoa  pacífica e talvez a antítese de um “militar”, mas cumpri todos os meus deveres nas funções e missões de que fui encarregado com, passe a imodéstia, algum mérito. Mas estou a afastar-me do fim a que me propus e agora peço-vos que apreciem o trabalho acima referido.
As reminiscências da guerra
por VALENTINO VIEGAS*(In "Boletim da Casa de Goa" , de Novº. e Dezº./2016)
Todos os anos, em especial nos meses de Maio e Junho, homens de idade avançada com os cabelos esbranquiçados, muitas vezes acompanhados de suas mulheres, filhos e netos, encontram- se num qualquer restaurante do País, previamente escolhido, cumprimentam-se efusivamente e abraçam-se de uma forma tão forte e tão calorosa que causa surpresa e espanto a quem presencia estas impressionantes manifestações de afecto.
Embora custe a acreditar e por mais incrível que isso hoje possa parecer, de facto, foi a guerra colonial que os uniu.
Há cerca de cinquenta anos, mais dispersos pelas vilas e aldeias nortenhas do que pelas cidades deste país mais ocidental da Europa, cada qual vivia virado para si próprio, desfrutando os doces anos da juventude e reflectindo sobre a melhor forma de realizar os seus sonhos mais prementes.
Obrigados a prestar o serviço militar, salvo raríssimas excepções de oferecimento voluntário, quando jovens haviam sido recrutados para garantir a presença portuguesa nas terras africanas e asiáticas, em nome de um Portugal uno e indivisível, multicultural e multirracial, que nascia no Ocidente, passava por África e ia terminar no Extremo Oriente. Foi no desempenho dessa ingente missão patriótica que desembarcaram por esse mundo fora em defesa do território nacional.
Exceptuando alguns mobilizados, mais bem informados e um tanto politizados, pois tinham uma visão diferente da dos líderes governamentais sobre a forma de encarar a guerra colonial por acreditarem que a sua solução só era possível através de negociações e nunca por via militar, todos os outros participavam nela sem verdadeiramente questionar nem pôr em causa a razão de ser da sua presença nos territórios ultramarinos.
Neste contexto, integrados na Companhia 785, Batalhão 786, em 1965 fomos mobilizados para combater no Norte de Angola.
Os dois anos de intensa actividade operacional ali desenvolvida criaram em nós laços de forte camaradagem que ainda hoje permanecem como se tivessem sido adquiridos e fossem alimentados de forma regular e metódica desde os mais tenros anos da doce infância.
Numa Angola de tamanho colossal vivíamos no Liberato, aquartelamento de dimensões exíguas, completamente isolados do resto do mundo. Salvo algumas cubatas onde se alojavam os bailundos, nativos deslocados do Sul do território angolano para o Norte em comissão de serviço para trabalhar no cultivo do café, e um único capataz metropolitano, tudo o resto se reduzia à presença da nossa Companhia 785, acomodada em quatro casinhas térreas, dois barracões de madeira cobertos de zinco, um refeitório também resguardado mas despido de paredes e uma cozinha com uma única parede completamente negra de fumo. Capim e mais capim, árvores frondosas e densas matas a perder de vista  circundavam  o nosso acantonamento por dezenas de quilómetros ao redor.
As espectaculares paisagens daquela riquíssima terra eram um permanente deleite para os nossos olhos embevecidos, não fora as especiais boas-vindas que nos reservavam os acoitados nos esconderijos da selva.
Aqueles que por lá se escondiam e nos atacavam, que tinham de se entregar ou deviam ser por nós eliminados, por serem considerados inimigos da Pátria lusitana, foram quem nos uniu e permitiu que se criassem entre nós laços de camaradagem e uma solidariedade tão activa e tão consistente que só quem por lá andou sabe calcular o seu real significado e dar-lhe o justo valor.
Nos nossos encontros anuais, não nos inquieta reviver os momentos de combate e de recordar que, quando as balas sibilavam por cima das nossas cabeças, podíamos contar com o apoio dos camaradas que nos acompanhavam. Eles davam uma confiança redobrada e uma segurança de tal ordem que nenhuma companhia de seguros jamais poderá cobrir.
Foi nessa argamassa feita com milhares de quilómetros calcorreados, com camuflados empapados de suor e embebidos de lágrimas, muitas vezes perseguidos em permanência pela ronda da morte, que foi moldada a amizade que nos une e a sã camaradagem de que tanto nos orgulhamos.
No último sábado do mês de Maio, uma vez mais, recordaremos em conjunto as vivências do passado, pois estou em crer que nenhum de nós consegue libertar - se da pele adicional que a guerra em nós depositou.
*Doutorado em História.
Com os desejos de que apreciem o trabalho do camarada e Amigo, ex-Fur.Milº., Viegas,, envia a todos cordiais saudações o camarada,Botelho

domingo, 4 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO

                                                     
Depois de dois anos de ausência destas paragens, resolvi voltar e dar “provas de vida”  para, na quadra Natalícia que se aproxima, apresentar a todos os camaradas e amigos da antiga  CArt 3514”Panteras Negras”,  os mais sinceros desejos de Boas-Festas de Natal e de um próspero Ano Novo, na companhia dos seus familiares com muita saúde, prosperidade, paz e amor. Igualmente aproveito a oportunidade para tornar estes votos extensivos aos meus antigos camaradas  das CArt 785/BArt 786 e CArt 2396/BArt 2849.
Com um abraço do camarada e amigo, Botelho

domingo, 20 de abril de 2014

Páscoa Feliz/2014

Camaradas e Amigos
Nesta quadra festiva, não quero deixar de apresentar os melhores desejos de Feliz Páscoa, a todos os meus Camaradas e Amigos das CArt.785 do BArt.786, CArt.2396/ do BArt.2849 e CArt 3514, na companhia de todos os seus familiares e amigos com muita alegria, paz, saúde e amor. Para todos vai um abraço do Camarada e Amigo.
Octávio Botelho

sexta-feira, 29 de março de 2013

Santa e Feliz Páscoa


Nesta Quadra Festiva, não quero deixar passar a oportunidade para desejar a todos os elementos que compuseram as CArt 785/BArt 786-RAP-2, CArt 2396/BArt 2849-RAL-5 e CArt 3514-RAL-3 com quem prestei serviço em diversas zonas da RMA, durante as minhas três comissões na ex-colónia de Angola, os melhores votos de Santa Páscoa, com muita saúde, paz, amor e alegria, na companhia dos seus familiares. De igual modo, faço os mesmos desejos para todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos envio cordiais saudações e um abraço do camarada e amigo, Octávio Botelho.

sexta-feira, 1 de março de 2013

XIX - Exploração fluvial no rio Nengo

Ora cá estou eu uma vez mais na prossecução de narração de alguns eventos levados a cabo por um dos nossos Furriéis e duas praças. Não intervim nessa aventura, que outra coisa não foi, por não ter possibilidades para tal, por não saber dela e, mesmo que soubesse, manda a  verdade que se diga, não tomaria parte em tal epopeia. Correndo o risco de “meter a foice em seara alheia”, vou tentar relatar, muito resumidamante o que me contaram e o que vi em imagens que anexarei  já de seguida a  documentar este “post”. Mas, para que se compreenda bem o risco de tal empreendimento, torna-se necessário esclarecer que o Nengo é um rio de planície e apresenta um traçado em meandros, com uma corrente muito lenta e que mal se nota, dando voltas e mais voltas e, sem  sol descoberto, sem uma bússola e não se conhecendo o percurso natural do rio (de oeste para leste) uma pessoa não consegue orientar-se uma vez que as margens do rio são profusamente alagadas e ali se produz uma vegetação compacta de capinzal que dificulta a visão directa do ponto final do percurso que se pretende realizar. Para dar uma ideia do percurso pretendido pelos aventureiros, anexo uma imagem do rio em questão e do percurso que pretendiam fazer, numa hora ou duas.
. 
Chana do rio Nengo,  1-Destacamento, 2-Local da Partida, 3- Chegada à ponte
Tiveram algumas sessões de treino para a sua aventura, nas quais se azafamaram em alcançarem a forma física necessária para a cabal concretização dos seus intentos. A distância entre o ponto de partida, que era a pedreira do Nengo e o término do percurso era, em linha recta,  de pouco mais de 5 quilómetros, mas com os meandros, corrente e  contracorrente, deveria contar-se com mais uns cinco ou seis mil metros e isto era para não se descuidarem. Efectuaram os  aventureiros  alguns exercícios  de preparação para a sua viagem fluvial e quando se sentiram preparados para o Dia D, largaram da Pedreira do Nengo, com destino à Ponte que ficava a leste e, como já foi dito, ficava a uma distância de cinco mil metros. Anexo em seguida uma imagem dos  treinos efectuados pelos três intervenientes na epopeia que, se revelou mais difícil do que o imaginado por eles. Parecem os exploradores  Brito Capelo e Roberto Ivens, em África.
.
Afundaram, mas nesta zona havia pé 
Findas as sessões de treino, lá chegou o dia marcado para a partida, numa simples canoa indígena, escavada num tronco, equipados com remos improvisados. A navegação era muito tranquila, pois as águas do rio não eram agitadas por rápidos. As águas mais parecem as de um tranquilo lago com ondulação nula e navegação tranquila, talvez até demais, notando-se que a corrente é também muito lenta,  o que não ajuda nada ao avanço de percurso. Para avançarem terão que estar com os braços sempre em carga para poderem chegar ao seu destino. O comandante da expedição encontra-se à frente da canoa, com uma expressão de determinação, tal como o seu imediato, enquanto o e último ocupante tem uma expressão de quem vai para uma romaria, sem qualquer preocupação.Anexo uma última imagem sobre este tema em que figuram os intervenientes na aventura.  
.
Inicio da largada
 Pois o resultado desta aventura, foi que a viagem de cerca de cinco quilómetros, que contavam realizar em muito poucas horas, parece ter-me constado que durou muito mais tempo, pois dadas as características da corrente, andaram às voltas nos meandros do rio e assim a distância aumentou em muitos mais quilómetros e mais tempo de duração. Agora, por me ter metido a descrever acontecimentos que sei por me terem contado, quero pedir desculpas aos intervenientes nos mesmos, pela minha ousadia e invasão da vossa área da vossa competência. Vou encerrar este “post”, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, da Cart 2396/BArt 2849, CArt 785/BArt 786 e bem assim para os eventuais visitantes deste Blogue que se derem à paciência de me ler. Para todos vai um abraço do amigo e Camarada,
Octávio Botelho

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Capº.XVIII - O arrastar dos dias na Colina do Nengo

Devido a uma avaria do meu PC, estive impedido de aceder à Net, correio eletrónico e aos blogues(o meu e àqueles em que colaboro) e não pude lançar este “post” nestas Crónicas de Angola, no passado dia 30 de Janeiro. Ontem foi-me entregue o meu PC já reparado e hoje resolvi por em dia o meu trabalho atrasado. Repetindo o que já disse dantes, a minha missão na CArt 3514, não se presta a que tenha grandes episódios de aventuras operacionais para relatar, pois ela era única e exclusivamente administrativa e não me dava nem dá assunto que tenha interesse. Apenas posso relembrar alguns episódios que me chegaram ao conhecimento, através de algumas fotos que documentavam a ocorrência da morte de um leão que fora apanhado com uma armadilha pirotécnica(granada de mão), num dos Destacamentos da Companhia pois que andava a rondar na procura de caça de alguns “cachorros mascotes” que lá andavam ou (quem sabe?!...) se de outra caça mais seleta…Essa foto andou a circular lá no Nengo e é muito provável que esteja incluída no Blogue da CArt 3514 e, por isso, não a vou incluir aqui. Na minha imaginação, estou a ver a defunto animal, não como está na tal imagem, mas com a majestade que lhe é própria e está documentada na foto que aqui e a seguir vou anexar, não como crítica.
.
Leão em contra-luz sobre o poente
Continuando a relembrar factos ocorridos naquela altura é um facto incontroverso que, quando há um tão elevado aglomerado de pessoas, ocorrem os aniversários dessas mesmas pessoas e que, não obstante estarem fora dos seus familiares, celebravam os seus aniversários com os escassos meios que tinham à sua disposição, sendo esses eventos um escape para melhor suportarem as ausências dos seus familiares e amigos. Sucedia frequentemente serem vários no mesmo dia e assim juntavam-se aos grupos para celebraremos seus aniversários. Anexo a seguir uma foto em que se encontram como figurantes alguns elementos da CArt.
.
Nunes e Guerra, Carrusca, Botelho, Parreira, Costa e Silva, Carvalho, Soares, Parreirinha, Pereirinha e Pais, em cima Duarte, Cardoso da Silva, Diogo e Marques
Recordo agora os deslumbrantes pores-do-sol que se podiam observar, em especial na época do cacimbo ou das secas, uma vez que eram mais raros na das chuvas. Os pássaros e aves diurnas, nesta hora, num total silêncio e em bandos, procuravam os seus abrigos para pernoitarem. Uma vez completo o ocaso e quando as trevas começavam a invadir o ambiente, começava a ouvir-se o conserto cacofónico das aves noturnas que se prolongava por toda a noite, só parando ao romper da alba, com os cantos das aves diurnas, mais harmónico que o das noturnas. A seguir insiro uma imagem dum desses poentes angolanos afogueados,  mas anunciadores de uma paz que, na realidade e infelizmente, ali não existia, pelo menos naquela altura.
Por-do-sol em Angola
Este “post” já atingiu os limites a que me propus e vou, por isso, encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514, da CArt 785/BArt786 e CArt 2396/BArt 2849 e familiares, assim como a todos os eventuais visitantes deste Blogue onde quer que se encontrem. Para todos vai um abraço do Camarada e Amigo,
Botelho

sábado, 29 de dezembro de 2012

Capº.XVII - Natal nos Trópicos-Nengo-Leste de Angola-1973

Nesta quadra Natalícia, e por estes dias, tenho estado com recordações de um Natal passado na zona raiana do Leste de Angola, mais precisamente na Colina do Nengo, no ano de 1973. Com uma antecedência de uns dois meses, o nosso Camarada Furriel Miliciano Melo Soares, teve a ideia de ensaiar um coral com um reportório de Canções de Natal. Foi reunido um conjunto de militares que eram, entre outros de que já me não recordo, o Escriturário Carrusca, o Cripto, Paulo Ribeiro, o Radiotelegrafista Dinis e muitos outros mais, incluindo eu também. Desta falta de lembrança de alguns dos elementos que compuseram o Coral é razão suficiente o terem já decorrido 39 anos  sobre essa ocorrência. Estou a lembrar-me do interesse que animou todo o conjunto que, diariamente e à noite, durante o serão, se entregava entusiasticamente aos ensaios, dirigidos pelo nosso maestro que, como já disse, era o Fur.Milº. Soares. Os ensaios eram intensivos e um tanto difíceis, uma vez que pelo menos, um  dos cânticos ensaiados eram cantados em inglês e francês. Mas as dificuldades superaram-se e tudo saiu da melhor maneira. Tenho pesar de não ter qualquer imagem dos ensaios e, à falta de melhor, anexo aqui uma em que figura o nosso maestro e em que figuram ainda outros dois elementos da CArt 3514, que sou eu próprio e o Fur.Milº.Parreira.   
Da esqª. para a dtª: Fur.Milº.Soares, o autor e Fur.Milº.Parreira, no
Nengo, em 1973 
Depois prosseguindo na narrativa que me propus passar a escrito neste post, sucedeu que, há poucos dias, ao navegar na Net, deparei com um vídeo do Youtube que trazia, nada mais nada menos que uma gravação do Kings College, de Cambridge, na Inglaterra, em que o Grupo Coral daquele estabelecimento de ensino britânico, apresenta uma magistral interpretação do Cântico de Natal, intitulado “O Holy Night” que, na versão francesa, tem o título de “Minuit Chretién”. A execução da canção é excepcional, é a quatro vozes, nomeadamente, primeiros tenores, contraltos, barítonos  e baixos e ao escutá-la, a sua harmonia dá-nos a arrepiante sensação de que vamos flutuar e subir ao espaço e, por isso, impressionou-me bastante. Se a quiserem ouvir, poderão ir ao Blogue da CArt 3514,  pois ali se encontra o vídeo em questão, inserto na margem direita do mesmo, por cima do Álbum do Blogue. E, pronto!...Por agora é tudo quanto o que tinha a dizer. No entanto, aproveito para desejar ao colaborador deste Blogue, Camarada e Amigo Carvalho, a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, assim como a todos os eventuais visitantes, onde quer que se encontrem, a continuação de Boas-Festas de Natal e os votos de que o Novo Ano de 2013, nos traga melhores condições do que o que está prestes a findar. Para todos um abraço de amizade do Camarada e Amigo.
Octávio Botelho

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Capº.XVI-Movimentação Gago Coutinho-Nengo

Neste Capítulo, pretendo rememorar a transição de locais durante a minha permanência na ZML com o estacionamento em dois locais distintos e que foram Gago Coutinho e a Colina do Nengo. Recapitulando, tínhamos saído de Luanguinga, aonde tínhamos chegado nos princípios de 72 e ali permanecemos uns meses, tendo posteriormente sido colocada a sede da CArt 3514 no Aquartelamento de Gago Coutinho, até que se terminassem as obras de construção da sua nova sede cuja situação estava prevista para uma localização de nome Mussuma, situada a poucos quilómetros a sul de Gago Coutinho onde fora colocado um Destacamento da nossa Companhia com a missão de construir a futura sede, que, dada a proximidade da Vila, se prestava a “desenfianços” do pessoal que, de forma descontraída e inconsciente fazia os seus “raids” aventurosos, percorrendo a pouca distância a pé e sem as mínimas precauções de  segurança, tendo alguns deles sido apanhados nessas aventuras. Resolveu-se afastar mais o acampamento que ficaria a 40 Km, contra os l0 de antes. De Gago Coutinho saímos para a Colina do Nengo por volta do início de 1973, até 14JUN74, tendo sido rendidos pela CAÇ 4246 naquela data. Da nossa  vida quotidiana em Gago Coutinho pouco há a dizer e esse pouco já foi sobejamente ventilado. Uma vida de pasmaceira, ocupada com os rotineiros trabalhos administrativos e desse tempo apenas me ficam na recordação os soberbos pores-do-sol que ocorriam diariamente, nas épocas das secas e de que apresento a seguir uma imagem bastante elucidativa.    
Por-do-sol no Leste de Angola
 
Assim,saímos de Gago Coutinho e fomos para o Colina do Nengo, aquartelar num estacionamento que, à vista de alguns outros por onde andei, parecia uma “estância de turismo”, com instalações seguras para a administração, logística, Cripto e Trms, Messe de Oficiais e Sargentos, Cozinha, refeitório, Cantina, Oficinas Auto e Depósitos de Materiais Diversos. O pior era o alojamento de praças ser composto por barracas cónicas de lona, mas, dadas as condições da missão que tínhamos, não podia ser de outra forma, pois viviam como nómadas em destacamentos móveis com a missão de dar protecção a trabalhos de segurança de construção de estrada, que implicava a mobilidade contínua dos militares encarregados de tal missão. Aqui e agora anexo outra imagem do Aquartelamento"Colónia de Férias" de que desfrutávamos.
Destacamento sede da CArt 3514, na Colina do Nengo

A propósito da classificação de “estância de Turismo”, devo dizer que tal nomenclatura é um tanto ou quanto forçada, pois a verdade era que, por vezes, tínhamos dificuldades em reabastecimentos logísticos, já que, por más condições climáticas ou de qualquer outra ordem, tal sucedia por causas de muita natureza  que nos obrigavam a recorrer, sem abusos, evidentemente, aos meios à nossa disposição, nomeadamente à caça. Nesta actividade, tínhamos uns associados que nos ajudavam muito, em troca de alguma compensação na repartição dos resultados.Eram os elementos da FAP estacionados no Aeródromo de Gago Coutinho, junto dos Batalhões ali aquartelados. Aqui anexo uma imagem de descarga de um troféu de caça na Colina do Nengo, onde era limpo e esquartejado o ou os animais caçados, levando eles consigo a sua parte da caçada.  

Gunga suspensa do guincho do Allouette III da FAP
A vida nestes locais de isolamento era um bocado dura e difícil de enfrentar e, por vezes, destravava-se qualquer mecanismo e, para afastar e esquecer muitas coisas, recorríamos a meios expeditos para evitar muitas lembranças que essa situação, dura e difícil, provocara. E o resultado dessas ocorrências era o que documenta a foto que anexo a seguir . Boa disposição e uma relativa descontracção!...
 .
1º.Plano: Alf.Rodrigues e Parreira;2º.Plano: Duarte; 3º.Plano:
Diogo, R.Sousa, o autor e Cardoso da Silva, no Nengo
E, parece-me que este “post” atingiu o limite que me tinha proposto. Envio cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849 e também para todos os eventuais visitantes deste Blogue onde quer que se encontrem. Para todos um até breve, com um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Cap. XV - Reavivar recordações

Antes de mais, quero apresentar as minhas desculpas pela longa ausência destas paragens. Na verdade, falta apenas uma semana para que complete uma ausência de dois meses destas lides. Mas, sem que seja de primordial importância justificar esse atraso, quero assim mesmo dar uma justificativa de tal ocorrência que, embora não directamente ligada a ela, não deixa de ser uma razão com certo peso. E começando, quero dar-vos a saber que o mês de Setembro findo foi, para mim, bastante ocupado e manteve-me fora da minha residência habitual por uns largos dias e, como não levei comigo o meu PC, como resultado natural, acumulou-se um grande acervo de e-mails que tenho o cuidado de ler quantos apareçam, responder aos que requeiram resposta e ainda arquivar e guardar os anexos (power points, vídeos, anedotas,etc) contidos nessas correspondências. A partir de 21 de Setembro estive em Portugal continental para assistir ao convívio anual da CArt 3514, que teve lugar em Évora no dia imediato.
Escadaria ao fundo da Parada Principal do ex-RAL-3(hoje Polo da Universidade
de Evora )-Ex militares da CArt 3514
 Anexo aqui uma imagem desse convívio, em que se encontra a maioria dos participantes e que foi bem concorrido e muito competentemente realizado pelo camarada Borrego Parreira. Houve também a presença de dois elementos que se estrearam nesse evento e que foram o Cabo MAL Pimenta e o Sold.CAR Norte. Foi, como já disse acima um evento muito animado, concorrido, em que se recordaram os  camaradas que caíram na luta e as  peripécias ocorridas há mais de quarenta anos.  Junto aqui outra foto deste evento .   
Ex-militares e familiares da CArt 3514, no Restaurante Quinta Nova do
Degebe, arredores de Evora
Findo este convívio, cada qual regressou a suas casas, mas não eu pois que, no dia imediato, tinha pela frente mais um convivio , desta vez em Grândola, e com pessoal da CArt 2396 do BArt 2849, com quem cumpri em Cabinda a minha segunda comissão de serviço em Angola, sendo esta, para mim, a primeira vez que estive em convívio com este pessoal desde que o deixei em 1970. Foi um encontro que foi uma surpresa para a maioria desse pessoal, uma vez que apenas uma pequena quantidade de pessoas que organizaram o evento sabia da minha presença no mesmo. Foi um momento bastante forte para mim. Das pessoas presentes, poucas reconheci, quando muito umas três ou quatro. No entanto, quase todas me reconheceram mal me viram e fizeram uma grande festa. O convívio, também muito bem realizado, com um serviço muito bom, mas mais virado para a cozinha alentejana, apesar de Grândola pertencer a Setúbal . 
Ex-militares e familiares da CArt 2396, junto ao Monumento ao 25
de Abril, em Grandola
 
A esqª..-Promotor do Convivio; Centro-Ex.Cmdt CArt 2396; dtª.-O Autor
Aqui insiro duas fotos deste convívio que, como já disse, teve lugar em 23 de Setembro findo , em Grândola. Ao fim da tarde, tendo conseguido uma boleia  de um  camarada ex.Fur.Mil., segui para a estrada da Banatica, no Monte da Caparica , para a casa da minha irmã, onde fiquei ate ao dia  27 de Setembro, data em que parti de regresso aos Açores, terra da minha naturalidade e residência. Como vêem, com esta folga suplementar, em que estive ausente quase uma semana,  fiquei tão habituado a boa vida que pouco me apeteceu mover sequer uma palha e o resultado foi este. O post  já atingiu a extensão que me propus e, por isso vou encerra-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 , CArt 2396 e CArt 785 e familiares, assim como a todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho
Nota do Autor – Como digo no título, este post dedicou-se  a reavivamento de Recordações . Na próxima oportunidade retomarei o tema que seguia anteriormente. Um abraço.
Octávio Botelho                          

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Capº.XIV - Prossegue a saga no Leste de Angola

Decorridas que são quase três semanas de ausência destas paragens que, a título de férias me souberam muito bem, já estava com saudades de voltar para dar continuidade à missão a que me propus e ao mesmo tempo, voltar ao vosso convívio para relembrarmos episódios ocorridos já há uns 40 anos de distância, quando outras coisas que não as doenças e a idade nos apoquentavam. Mas, felizmente, foi passado esse “cabo tormentoso”, cuja travessia não nos deixou marcas de maior, graças à  juventude, forças e saúde que, nessa época, tínhamos em abundância e  nos fizeram passar incólumes por muitos transes e hoje, desse tempo tão distante, sentimos até saudades, não da situação então vivida, que não foi nada grata para ninguém, mas sim daquela juventude, força e saúde que hoje está tão mudada e abalada(falo por mim) e ainda da unidade, convivência, amizade e camaradagem que, até hoje, se encontra florescente e viva como naqueles dias que há tanto tempo se passaram, sendo renovadas nos convívios que, anualmente e de há uns anos para cá, se vêm realizando.

Acampamento e Aquartelamento do Nengo. No céu, o perfil do velho
   avião da II Guerra Mundial, Nordatlas(1973)
E, como recordar é viver, aqui vai mais uma imagem, captada no ano de 73, na Colina do Nengo, vendo-se em primeiro plano, o acampamento de barracas cónicas, à esquerda, o alojamento de oficiais e à direita, o parque de estacionamento das oficinas de mecânica Auto. No segundo plano a “chana”ou “anhara” do Nengo e em terceiro plano, a mata arbustiva típica das regiões semi-desérticas de Angola. Ao longo do extremo direito, até ao horizonte distante, verifica-se o alinhamento da estrada em construção para Ninda e extremo sueste de Angola(Luiana). Em sobrevoo. na imagem destaca-se no céu, o perfil do célebre avião, Nordatlas, que nos servia de meio de reabastecimentos, transporte de pessoal e correio. Enquanto permanecíamos em Angola, trabalhávamos quando era necessário, muitas vezes fazendo serões durante a noite uma vez que durante o dia era tanto o calor que nem nos podíamos mexer, conforme a estação que se atravessava e então era aproveitado o “fresco” da noite para se trabalhar mais comodamente. Quando assim sucedia, descansávamos de dia, para compensar as noites perdidas. A imagem que anexo, confirma o que acabo de dizer. 
O autor, em sesta durante o calor do dia 
Como se pode ver, aqui estou eu deitado na minha cama em pleno dia , no meu quarto que compartilhava inicialmente com o 1º.Sarg.Meira Torres e, depois que ele saiu da Companhia, foi para lá um Furriel Milº. de  quem, para dizer a verdade, após decorridos tantos anos, já me não lembra o nome. A esse furriel, peço que me desculpe por já me não recordar de quem ele foi!...Esta imagem foi captada em 73 ou 74, no aquartelamento do Nengo. Em seguida, prosseguindo em evocações, anexo outra foto.  
T6 da FAP, sobrevoando o Aquartelamento do Nengo, em 1973
É uma imagem captada no Aquartelamento do Nengo vendo-se, em primeiro plano, uma série de militares, de costas e que, por essa razão, são completamente inidentificáveis. No segundo plano, está uma viatura Berliet em descarga à porta do Depósito de Géneros, que estava situado no edifício tipo “bidonville”, em terceiro plano. No ar, sobrevoando o acampamento e agitando as asas em saudação ao pessoal em terra, dois aviões T6 da FAP, cuja base era no aeródromo de Gago Coutinho, anexa ao aquartelamento do BArt 6320, que rendeu o BCav 3862,”Cavalo Branco”, no Comando do Subsector. Este pessoal da FAP tinha uma ligação muito forte com pessoal da CArt 3514, por razões que não interessam aqui referir e, sempre que tinham oportunidade, sobrevoavam o nosso aquartelamento, saudando o pessoal, como disse acima, com a típica agitação das asas. Este “post” já atingiu o tamanho a que me tinha proposto e, assim sendo, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações para todos os elementos da CArt 3514 e familiares, da CArt785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849 e ainda para todos os eventuais vistantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um até breve com um abraço do Camarada e Amigo,
 Octávio Botelho

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Capº.XIII - Um "post" insólito e inesperado

Algum do pessoal desta CArt 3514, deve já saber ou se ainda não sabe, deverá saber em breve, por comunicação e convite enviado pelo promotor do nosso convívio anual, o nosso comum camarada, ex-fur.Milº. Manuel António Borrego Parreira, que aquele evento terá lugar em Évora, no dia 22 de Setembro p.f.. Mas como já disse, isso deverá ser participado por ele, pois é ele o encarregado de tal função. Acontece que, este ano, vou ter que assistir a dois convívios o que é o mesmo que dizer que, de uma só cajadada, matarei dois coelhos. Mas eu já explico o que se passa e que é o seguinte: Por uma feliz conjunção, consegui concretizar um sonho muito antigo, que é o de poder assistir a um convívio com elementos da minha segunda comissão em Angola .  Desde 2009, até hoje, após ter feito três convívios, sendo dois deles convosco e outro com pessoal da minha primeira comissão, apenas me faltava asssistir a um evento com os da segunda Comissão. Tudo até se proporcionou de maneira a que tenha  um convívio convosco num dia(22SET) e, no dia imediato(23SET) terei o outro, a pouca distância de Évora, mais precisamente em Grândola. Vejam lá a minha sorte: Tenho dois convívios em dias seguidos. Sucedeu então, que o encarregado desse convívio questionou-me sobre a possibilidade de incluir neste Blogue um convite  dirigido aos elementos da CArt 2396, chamando a atenção para aquele evento. Fiquei assim, a modos que um tanto ou quanto preplexo e sobre isso, consultei um camarada nosso, o ex-Fur.Milº.Carvalho pedindo-lhe a opinião sobre o caso. Respondeu-me que não havia  problema e até me ajudou e muito no arranjo do respectivo convite e itinerário que anexo a seguir:  

Convite




Itinerário do local de concentração até ao restaurante
"O Cruzamento", em Grândola
Tal pedido, que considerei irrecusável do meu camarada da minha segunda comissão, que sei que, sabendo com bastante antecedência do nosso convívio em Évora no dia 22SET, fixou o dele para o dia imediato, atendendo à minha estadia num lugar tão próximo e que, facilmente, poderia galgar para poder confraternizar em Grândola com eles. Acentuo que dos três convívios a que já assisti, dois foram  com a CArt 3514 , outro com a  CArt 785/BArt786. Com a CArt 2396/BArt  2849, será o primeiro convívio, que somando com o vosso deste ano, será o quarto a que assisto e que será talvez o derradeiro, pois já sinto algumas dificuldades em deslocar-me: Sofro dos pés, tenho diabetes e sou insulino-dependente, o que obriga a ter seis pequenas refeições diárias, de três em três horas e sou ainda doente cardíaco e a prudência aconselha-me e deixar-me de aventuras para as quais já tenho muito pouco estofo. Agora acho que já cheguei à idade de receber visitas e não de fazê-las por meio de via aérea ou por qualquer outro meio. Desta vez, vou passar em claro a sequência dos meus “posts” sobre a CArt 3514 e o Leste de Angola, mas prometo que dentro de pouco tempo continuarei a recordar episódios e imagens da minha última comissão em Angola,prosseguindo, assim, com as narrações de episódios soltos, documentados com fotografias dos meus arquivos informáticos, como vinha sucedendo anteriormente. Ainda antes de me encontrar em Évora convosco, espero lançar mais um “post”,prosseguindo com a nossa saga do Leste de Angola, desde o Luanguinga,  Gago Coutinho, Sessa,  Mussuma,  Nengo até Ninda. Este “post” já atingiu a extensão a que me propus e vou encerrá-lo, apresentando os meus agradecimentos ao meu colaborador na parte fotográfica, o camarada ex-fur.mil.Carvalho, a todos os elementos da CArt 785/BArt786, da CArt 2396/BArt 2849 e da CArt 3514 e familiares, assim como para todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um até breve com um abraço de amizade do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Capº.XII - Passar os dias no Leste de Angola

Passar os dias, em qualquer sítio, desde que seja  num ambiente atractivo e agradável, nada custa e o tempo passa-se quase sem dar por isso. Para nós, militares, enquanto deslocados em “missão de soberania”, como se dizia naquele tempo, era também e de que maneira, bastante difícil de passar o tempo, já pelas condições climáticas e ainda pelo estranho ambiente povoado de toda uma série incontável de estranhos amimais, desde o elefante que, embora não sendo carnívoro, se lhe der para atacar um ser humano, este não terá pernas que cheguem para se proteger dele. E isto para não falar noutras espécies mais agressivas e até classificadas de ferozes, como os leões, onças, chitas, etc. Assim é até compreensível e natural que,  no meio de um ambiente que é hostil ao ser humano, se procurem todas as possibilidades para se distraírem que, evidentemente não são diárias. Assim, indo rebuscar os meus recursos fotográficos, fui encontrar o documento  que anexo o seguir:       
S.Martinho/73(?)Da esqª.para a dtª:Sold/Trms Parreira, Botelho, Furrieis.Parreira,Pereira,Duarte,Marques
Monteiro, Barros, Diogo, Carvalho e Soares
 É una foto que foi captada, salvo erro,  no ano de 1973, na Messe de Oficiais e Sargentos da CArt 3514, uma nova dependência que dantes não existia no Acampamento do Nengo . A festividade comemorada foi o São Martinho, pois na mesa estão presentes as tradicionais castanhas e vinho. Quanto aos figurantes que se encontram nela, a começar pela esquerda, vêm-se: O Sold.Trms Parreira, o autor, 1º.sarg.Botelho, Furiéis Parreira, Pereira, Duarte, Marques, Monteiro, Barros, Diogo, Carvalho e Soares. Como se pode ver o ambiente é descontraído e alegre, dentro do possível, pesem embora as dificuldades que num contexto de tal natureza devem existir sempre, achando eu que não deve ser necessário enumerá-las por serem óbvias. Fui, novamente, procurar nos arquivos  e encontrei outra imagem que vou anexar já de seguida:        
Da esqª.para a dtª: Indivíduo não identificado(possivelmente serei eu), os furriéis Soares e
Cavalho e no fim o Alf.João Brás
Esta foto foi captada ainda no Depósito de Géneros, que nos serviu de Messe no Nengo antes da construção daquela que consta na foto anterior. Nesta imagem figuram, da esquerda para a direita, um indivíduo não identificado, pois só de lhe vê a nuca e os ombros e que, muito possivelmente, serei eu, seguindo-se os Furriéis Soares e Carvalho e, por fim o Alf.João Brás. Pelo cenário apresentado, em que aparecem sacos de farinha, arcas congeladoras e bidons, um deles contendo azeite, percebe-se que se trata de um Depósito de Géneros de Campanha. Continuando a pesquisa nos meus arquivos, encontrei a imagem que anexo e seguir:  
Da esqª. para a dtª.:1º.Sarg.Botelho, Cap.Milº.Crisóstomo dos Santos e Fur.MAP e
"Cantineiro" Cardoso da Silva
 Nela figuram, da esquerda para direita, o autor, 1º.Sarg.Botelho, o Cap.Milº.de Artª.Rui Crisóstomo dos Santos e finalmente, o  Fur. MAP e “Cantineiro” da CArt 3514, Manuel Cardoso da Silva. A localização desta foto é no alpendre do alojamento de Oficiais no Destacamento do Nengo, Sede da Companhia. Foi uma reunião para resolução de assuntos administrativos relacionados com a Cantina e Vencimentos de Pessoal, por alturas do ano de 1973. São acontecimentos isolados, mas que demonstram que também haviam reuniões de trabalho para se tratar de assuntos de interesse e bem- estar do pessoal e não só festas e comemorações como se poderá inferir pelas imagens já anteriormente aqui colocadas. Anexo a seguir uma última imagem que encontrei: 
da esqª. para a dtª. Alf.Costa e Silva, Sold.Vicêncio Carreira, Sold.Liberto, Sold. Parreira e
1º.Sarg.Botelho
Trata-se de uma foto de uma refeição num dia normal e nela figuram, da esquerda para a direita: O Alf. Costa e Silva, seguindo-se o nosso Cozinheiro e Barista, Sold.  Vicêncio Carreira, o Sold.CAR Liberto, o Sold.Trms.Parreira e. por fim, o 1º.Sarg.Botelho autor deste “post”. Esta imagem demonstra que não haviam problemas na convivência entre as diversas graduações, pois todos se tratavam com respeito devido. Além do mais, há  assinalar que boa parte dos nossos efectivos em praças era originário de Cabo Verde e que entre os europeus e os africanos insulares, nunca houve, mutuamente, o mais insignificante acidente de ordem racial, durante os cerca de quase três anos de convivência mista entre os elementos da CArt 3514, desde a sua formação em Évora, em 71, até ao fim da Comissão em 1974. Este “post” já atingiu o tamanho que deveria ter e, por isso, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos  da CArt 3514 e familiares, assim como aos elementos da CArt 785/BArt 786 e aos da CArt 2396/BArt 2849 e bem assim para todos os visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos, sem excepção,vai um até breve com um abraço do camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Capº.XI- Memórias dispersas do Leste de Angola

Devido a falta de inspiração, falhei o “post” semanal que era habitual editar com aquela periodicidade. Em agravamento para a falta de inspiração, estava eu também convencido de que deveria seguir a sequência cronológica dos factos, tendo, depois de efectuar uma profunda reflexão sobe a utilização desse sistema, chegado à conclusão de devia abandonar essa ideia e deixar-me conduzir pela documentação fotográfica que tenho ao meu dispor que, não sendo em muita quantidade é, em qualidade, bastante sofrível. Assim, resolvi deixar de preocupar-me com a cronologia até porque, estas Crónicas não têm a pretensão de serem um Diário, mas sim um relato documentado mas simplificado de acontecimentos dispersos no tempo, sem a preocupação com a respectiva sequência no tempo. Seguindo esta ordem de ideias, fui pesquisar os meus arquivos e encontrei a foto que a seguir vou anexar a este “post” e de que vou fazer uma  descrição do local em que foi captada e dos elementos nela figurados:   .
Da esqª. para a dtª: Carmo, Botelho, Soares e Diogo
A localização desta imagem situa-se no acampamento do Rio Luanguinga, primeira sede da CArt 3514 e, portanto no início da nossa Comissão no Leste de Angola, em 1972 .Todos os seus figurantes são conhecidos de todos, mas não quero deixar de os identificar: A partir da esquerda para direita, o 1º.Cabo Carmo,  o autor deste “post”, 1º.Sarg. Botelho, o 1º.Cabo Socorrista Elísio Soares e , por fim o nosso Vagomestre, Fur.Diogo. Não se consegue identificar o militar encostado ao Jeep Willys, que se encontra no extremo direito. Agora e já sem preocupar-me com a ordem de ocorrência dos factos, lá fui novamente à “pesca”  e fui encontrar uma outra imagem inédita nesta III Parte destas Crónicas, e com um “salto no tempo”, encontrei uma foto, que nos coloca já no Acampamento do Nengo, que se encontrava em fase de acabamentos, já em 1973, e que insiro a seguir: 
Soares, Botelho e Parreira
 Todos os figurantes são sobejamente conhecidos, mas de qualquer maneira, gosto de identificá-los um por um, para provar a mim próprio que, embora já um tanto velhote, graças a Deus, ainda não fui atingido pela “Alzheimer”. Assim, da esquerda para a direita, está o nosso Fur. Melo Soares, seguindo-se o autor deste “post”, 1º.Sarg. Botelho e por fim o nosso Fur. Parreira. Até agora, parece-me que não falhei nenhum!...Mas ainda quero ver se encontro mais uma foto para rematar a composição deste “post”. Fui à procura e, de facto, com mais um pequeno salto no tempo,  lá fui desencantar mais uma imagem  que não resisti a incluir já a seguir: 
Alf.Rodrigues, Carvalho, Caetano e Botelho
Nesta foto tirada no Nengo em 73 ou 74, estão figurados os seguintes elementos, da esquerda para a direita: Alf.Milº.Rodrigues, o  nosso Fur. Milº.Carvalho, o Soldado/TRMS Caetano e, por fim, o autor deste “post”, 1º.Sarg. Botelho. Trata-se de uma comemoração qualquer, talvez um aniversário de um dos figurantes, uma vez que parecem estar equipados para isso. E depois de ter andado aqui aos “saltos no tempo”, consegui engendrar um “post” que espero não tenha sido maçador e que tenha feito recordar ocorrências passadas já há uns 40 e tal anos de distância, que despertam nostalgia e saudade , não daquilo que tivemos por que passar naquele tempo pois não sou saudosista,  mas da convivência, camaradagem e amizade cimentadas na adversidade que a, todos sem distinção,  atingiu e se manifesta ainda hoje nos convívios realizados anualmente. E por agora, vou ter de encerrar   este “post”, endereçando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, aos da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849, assim como para todos os eventuais visitantes deste Blogue, onde quer que se encontrem. Para todos um abraço do camarada e amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Capº.X -Exposição de antiguidades das F.Armadas

Desde o princípio dos trabalhos que me propus realizar  ao iniciar estas Crónicas, me considerei como uma das pessoas menos qualificadas para os realizar, uma vez que em apenas uma das minhas comissões, a primeira, fui empenhado em missões de combate propriamente ditas. Nas restantes duas Comissões, embora tenham sido consideradas missões de guerra, não o foram de combate real, pois as minhas missões foram essencialmente preenchidas com funções administrativas, que para efeitos de historial, não se prestam muito ao preenchimento de umas Crónicas dignas de tal nome. Não ocorrem quaisquer episódios que dêem boas histórias , pois o trabalho em que estamos ocupados não se presta para elas e, poderá suceder, como agora, que me veja com pouco ou nenhum assunto para ocupar este “post” que estou a tentar levar a bom termo. Assim, e como último recurso, vou debruçar-se sobre a  antiguidade  dos materiais de que estávamos equipados para a temática ofensiva e defensiva que era primordial para o bom cumprimento da nossa missão nos territórios da ex-colónia portuguesa de Angola. 
Metralhadora Pesada Breda 7,9 mm m/38
Para começar, vou integrar a seguir uma imagem de uma arma de origem italiana e que, ao tempo, já tinha uma respeitável idade, pois tinha nascido em 1938 tendo, para uma arma, uma respeitável duração de 34 anos, portanto, já tinha sido estrela na II Guerra Mundial  e, embora assim fosse, desempenhava muito bem e sem falhar, a sua mortífera missão , com poucas ou raras avarias mecânicas. Material velho, mas de excelente eficiência. Havia uma outra estrela de antiguidade, mas com uma elevada e eficiente “performance”, desta vez, no ramo auto. Só tinha um defeito: a sua suspensão era de uma rigidez insuportável e, em viagens longas e por caminhos acidentados, deixava os pobres passageiros com dores insuportáveis em todo o corpo, mas principalmente e pior na coluna dorsal, que ficava como que desfeita com os solavancos que lhe eram propinados.     
Jeep Willys m/940
 Anexo aqui e agora uma imagem dessa estrela, de origem americana, nascida por volta dos anos 30-4l, sendo largamente utilizado pelas forças Aliadas, durante a II Guerra Mundial. Após ter sofrido algumas alterações, surgiu com as formas e modelos idênticos ao da imagem anexa. Prosseguindo agora, quero apresentar mais uma estrela , mas desta vez, no ramo Aeronáutico . Trata-se do famoso avião de caça T6 Harvard, que foi criado em 1941 nos EUA e usado como avião de treino para os pilotos das USAF, USNavy e RAF, até 1950.Vieram para Portugal em 1947 e 1950, sendo utilizados também como aviões de treino para os pilotos da FAP. Foram utilizados na Guerra Colonial e abatidos ao efectivo em 1978. Podem ainda ser vistos no Museu do Ar em Alverca e pode-se ainda voar neles.  Anexo a seguir uma imagem do aparelho em questão.     
Avião caça T6 Harvard
.Prosseguindo na exposição das antiguidades das Forças Armadas em Angola em geral e em Gago Coutinho, em particular, cabe agora a vez a outra antiguidade, esta a campeã de todas as antiguidades citadas acima. Trata-se da avioneta DO 27. Foi esta marca criada na Itália em 1922, num estaleiro de construção de hidroaviões, tendo ali sido construído o maior avião comercial antes da II Guerra Mundial e, durante esta foram construídos vários modelos do mesmo avião, praticamente até aos dias de hoje.   
Avioneta DO 27, da FAP
A seguir junto uma imagem do aparelho da FAP de nome DO 27, que era utilizado em muitas missões, nomeadamente as de PCA(Posto de Comando Aéreo), avião de reconhecimento, avião de reabastecimentos, transporte de correio em zonas inacessíveis e muitas outras que agora me não ocorrem. Este “post”, fugiu à regra do tema, mas disso já expliquei as razões acima. Também já atingiu o tamanho habitual e, por isso, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e familiares, da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849, assim como para todos os eventuais visitantes deste blogue, onde quer que estejam. Para todos um abraço, com um até breve, do amigo e Camarada,
Octávio Botelho

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Capº.IX - Memórias dispersas do Leste de Angola

Nesta época e neste mês em especial e há cerca de 40 anos, continuava a CArt 3514 com o seu comando sedeado em Gago Coutinho e, como já referi em “post” anterior, a vida era como de costume, bastante rotineira, limitando-se a nossa missão aos serviços burocrático-administrativos, que surgiam por fases, sucedendo que tínhamos, no nosso trabalho, ora épocas “em cheio” , alternadas com épocas “de vazio” e,  nesses períodos de pouco que fazer, tentávamos, dentro de possível passá-los da melhor maneira e dentro das possibilidades. Na minha equipa de trabalhos tinha excelentes colaboradores, sendo que o primeiro entre todos era, sem sombra de dúvidas, o meu eficiente e desembaraçado Cabo Escriturário António Carrusca e sempre que havia um intervalo de tempo livre, lá dávamos uma saltada a casa dos nossos vizinhos da FAP, para uma visita ao Bar deles, para se emborcarem umas cervejas, mas sem se abusar, pois que muitas vezes, depois dessas libações, tínhamos que prosseguir o trabalho no qual se tinha feito uma pausa para descontrair. Também não quero  esquecer  que o Cabo Socorrista Elísio Soares,  também dava uma preciosa ajuda nos trabalhos de dactilografia quando este serviço apertava e, até eu, se necessário e não houvesse outra ajuda alinhava em trabalho de dactilógrafo, não me tendo, por isso, caído dos ombros os distintivos hierárquicos.  
Botelho,o autor,"barman" da FAP e Cabo Escritº.Carrusca, em Gago Coutinho
em 1972
Para ilustrar um desses intervalos realizados no Bar da FAP, junto, a seguir uma imagem elucidativa, captada no citado local, e nela figuro eu, o “barman”, militar da FAP e o que era, ao tempo, o meu eficiente Escriturário. É uma imagem que acentua de forma flagrante a diferença abismal que existe nas nossas aparências físicas daquele tempo para as da época actual, mas a verdade é que esse facto é decorrente de um processo irrevogavelmente natural  e estamos sempre bem, seja em que tempo e modo for. E assim, decorria a nossa vida sendo passada da melhor maneira possível, aproveitando-se as oportunidades para distrairmo-nos da pasmaceira em que se vivia,implantados no meio de nenhures, não deixando para trás qualquer possibilidade de fazer por esquecer a nossa situação de prisioneiros em liberdade, pois para mim era esta a melhor definição da situação  a que estávamos todos, sem excepção, sujeitos.     
Da Esqª.para a dtª.: Fur.Carvalho, Cabo Pinto, Cabo Freitas, Emilio Pires, Melo, Fur.A.Sousa, soldados Castro e Caetano, no Bar Castro, vulgo,"Mete Lenha", em G.Coutinho em 1972. Ao centro e atrás, Botelho, o autor.
A seguir, adiciono uma outra imagem, esta tirada um pouco antes da anterior, pois recordo-me que foi tirada quando estávamos em Luanguinga e que suponho, deva ter um significado especial para primeiro figurante da esquerda, cuja apresentação faz lembrar a de um célebre careca, actor de cinema, que se chamava Yul Breynner , mas que, se não estou enganado foi originada na “carecada” que lhe foi dada pelo Comandante ou 2º.Comandante do BCAv 3862 “Cavalo Branco”.A imagem deve ter sido captada em 1972, no único Bar-Restaurante existente na vila, cujo proprietário se chamava Castro e que era vulgarmente conhecido como “O Mete Lenha”. Figuram na imagem, para além do Fur.Carvalho, um condutor, o Cabo Freitas “Padeiro”, outros dois condutores, o Fur.Arlindo Sousa, os Soldados Castro e Caetano. Ao centro e por de trás, estou eu. 
Cabo Socorrista Elísio Soares, junto à Igreja da Missão de São Bonifácio,
em Gago Coutinho em 1972/73
A seguir, incluo uma imagem do Cabo Socorrista Elísio Soares que, como referi há pouco, foi um empenhado auxiliar nos serviços de dactilografia da Secretaria, sempre que o serviço apertava e se encontrasse na sede. Sempre animado de vontade de ajudar, foi o Cabo Elísio Soares, um prestimoso auxiliar em serviços de secretariado que, embora não sendo da sua especialidade, desempenhou de forma impecável competente e conscienciosa. Embora tardiamente, aqui estou para agradecer-lhe a prestimosa colaboração que dedicou a um trabalho extra e que não era de sua obrigação fazer. A foto inserida,  mostra o Cabo Socorrista Soares, numa pose que revela a sua faceta de pessoa voluntariosa e ciente de que sabe o que quer e para onde ir.O local, é a Igreja da Missão de São Bonifácio, à data de 1972/73, de que hoje apenas existem ruínas provocadas por um derrotado Movimento de Libertação que  achou que o edifício sagrado podia ser utilizado contra eles como instalação “defensiva” ou“ofensiva” militar. Na minha opinião, uma opção errada, mas  este é um caso que  “aqui” e “agora”, não é de debater. Este”post” já atingiu a extensão que lhe tinha fixado e, por isso, vou encerrá-lo,  enviando cordiais saudações a todos os elementos da ex-CArt 3514 e familiares, da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849, assim como para todos os visitantes deste Blogue, onde quer que estejam e se dêm à paciência de me ler. Para todos um até breve, com um abraço do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Capº.VIII - Permanência em Gago Coutinho

Situo a narrativa deste Capítulo, na antiga Vila de Gago Coutinho, actualmente conhecida pelo nome de Lumbala Nguimbo, onde a vida, para mim, era de uma monotonia desesperadora. Tal condição fazia com que tentássemos passar o tempo da melhor maneira possível, aventurando-nos em passeios pelas redondezas da vila que não era, em realidade muito extensa, uma vez que a sua área urbanizada mais compacta, correspondia aproximadamente a quarenta hectares e meio. Era  e é uma vila situada no meio de nenhures, sem povoações vizinhas próximas, a não ser as típicas sanzalas indígenas que, ao tempo, rodeavam a povoação por quase todos os lados. Das casas dos europeus, não tenho qualquer imagem, pois as mesmas  em si, se revelavam pouco interessantes pois eram cópias fiéis das casas que tinham na Europa e não tinham na sua construção ou estilo qualquer exotismo que despertasse interesse. Outro tanto já não posso dizer das habitações indígenas que, a par do exotismo da sua construção(madeira, nas estruturas e colmo(capim), nas  paredes e tectos) que são típicas daquela região.  
O autor numa
sanzala em GagoCoutinho
Anexo aqui uma imagem dumas dessas casas(cubatas), que mesmo com a pobreza dos materiais à sua disposição, já tentam uma imitação dos europeus, construindo em anexo à sua cubata, um alpendre com uma espreguiçadeira, feita de aduelas de barril, para fazerem as suas sestas à sombra, fora dos raios ardentes do sol. Pela minha parte, achava e acho ainda muito bem , que os autóctones tenham e gozem das suas comodidades. Tinham também uma bonita igreja, situada na periferia de um arvoredo, por de trás do qual se encontrava e encontra ainda hoje a Missão Católica de São Bonifácio, atribuída a uma Comunidade de Irmãs que têm variadíssimas missões de carácter religioso, escolar e social em benefício das populações locais. Da linda igreja que lá deixámos, hoje, infelizmente, apenas restam ruínas e como lembrança do edifício sagrado desaparecido, anexo, a seguir, uma imagem do mesmo tal como era outrora.
Igreja da Missão de S.Bonifácio, em Gago Coutinho, em 1974
Voltando a falar do estilo de vida naquela vila, era certo que mensalmente e por motivos administrativos tinha de ir levantar fundos para pagamentos de ordenados, vencimentos e pré, deslocando-me ao Luso, actual Luena. Para essas deslocações, não era permitido usar transporte terrestre, mas sim a via aérea, para afastar a possibilidade de se perderem, nalguma emboscada, os valores que transportávamos. Para o Luso, transportava um cheque da RV/RO/QG/RMA, sobre o Banco de Angola, anexado à relação  e recibos individuais mecanografados, dos vencimentos de todo o pessoal da CArt. Assim, para obstar à perda de valores que poderiam ocorrer numa viagem por via terrestre de mais de 300 Km, usava-se, por imposição, a opção de via aérea, mas, imagine-se!...Num caco velho, usado na II Guerra Mundial pelos Aliados, um avião bi-motor, de fabrico francês, de nome “NordAtlas”, aportuguesado para “Noratlas”, que era, essencialmente, um avião de transporte de Materiais, transporte e lançamento  de tropas“Páraquedistas”. Era, portanto, um avião sem insonorização, com armação metálica e sobre esta, a chapa metálica exterior. Lá dentro, durante o voo, era uma barulheira desgraçada dos motores. Quando se atravessavam os “poços de ar” em corrente descendente, o avião caía e tínhamos a impressão de que o estômago ia sair pela boca.Chegado o aparelho às correntes ascendentes, lá voltava  para a altitude de segurança, até que atingisse outra corrente descendente que ameaçava despenhar o avião para a floresta. Numa meia hora de voo dávamos meia dúzia de mergulhos em direcção à terra e só respirávamos aliviados, depois de por os pés em terra no fim da viagem.  
O avião "Noratlas", vulgarmente chamado de "barriga de jinguga"
Aqui, junto uma fotografia do aparelho em questão que, ao ser visto na imagem não desperta tanta insegurança como se possa pensar. E a verdade é que não aconteceu,que eu saiba, durante a guerra colonial,  nenhum acidente com os velhos “Noratlas”,o que prova a perícia e cuidado dos mecânicos da FAP, na manutenção dos velhos aviões que possuíam. Este “post” já está a atingir os limites que me propus atingir e assim, vou encerrá-lo, enviando cordiais saudações para todos os  elementos da ex-CArt 3514 e seus familiares, assim como para todos os que compuseram as CArts 785/BArt 786 e CArt 2396/BArt 2849 e ainda para os eventuais visitantes deste Blogue onde quer que estejam. Para todos, vai um abraço e um até breve do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Capº.VII - A vida em Gago Coutinho

Viver, como vivi em Gago Coutinho, durante uns meses, enquanto se construía o Acampamento da Colina do Nengo, era uma autêntica pasmaceira. Tinha uma vida de  rotina, comparada quase à de um funcionário civil no seu emprego, constando quase exclusivamente das tarefas burocrático – administrativas e pouco mais. Tinha muito tempo livre à minha disposição que era, muitas vezes, ocupado em dar passeios nos arredores da vila, acompanhado do meu Escriturário, António Carrusca, dos Cabos Socorristas Elísio Soares e  do saudoso Abreu, do Cabo Pimenta, do Condutor Júlio Norte e por vezes do falecido Vicêncio Carreira. Este era o núcleo fixo que muito poucas vezes foi desfeito e permaneceu junto durante a maior parte do tempo de comissão no Leste de Angola. Tínhamos muito tempo em que pelo menos eu e alguns deles ficávamos em frente às instalações que nos serviam de Secretaria, em silêncio e a apreciar os cenários incendiados do por-do-sol, de que anexo aqui uma elucidativa imagem de um desses deslumbrantes espectáculos,  que suponho, não existirem iguais noutras partes do globo.     
Por-do.sol em Angola
Para os passeios, limitavamo-nos a uma área muito próxima da vila e que não ultrapassavam a margem esquerda do primeiro rio que se encontrava na estrada que seguia para os lados do Nengo e Ninda e que era uma área de planície suavemente ondulada , cujo limite eram as margens desse rio que corria para sueste, em direcção à Zâmbia e que eram bastante baixas, dando a percepção de que, no tempo das chuvas, com a subida de nível das águas do rio, deviam ficar submersas, por largo tempo, e que conservavam vestígios de que eram utilizadas pelos autóctones como terrenos agrícolas, com características muito semelhantes às da lezíria dos rios do continente português, situadas nos vales do Tejo, Sado e Mondego. Como já disse algures, estes passeios eram arriscados e apesar de levarmos connosco armas para a defesa individual eram,  na verdade um desafio que resultava de uma descontracção irresponsável de que, felizmente, não resultaram quaisquer consequências, ,mas que não tinham quaisquer garantias de que não viessem a suceder. Enfim, inconsciências da juventude, de que poderiam ter saído acontecimentos indesejáveis. Até parece que estas aventuras e o nada de grave ter acontecido, confirmavam um lema da antiguidade  que dizia: “A sorte  protege os audazes”  e que era e é, o lema de uma elite do Exército Português, os célebres “Comandos”, que o têm, mas na língua latina : "Audaces fortuna juvat” e  um ou outro, querem dizer as mesmas palavras e têm a mesma conotação.  
Passeio nos arredores de Gago Coutinho
 A seguir anexo uma imagem de um desses passeios em que apareço eu, realizados na periferia da Vila de Gago Coutinho. Quanto aos trabalhos de secretariado, era assistido pelo meu Escriturário que, quando o trabalho apertava, eu próprio o ajudava, assim como o Socorrista Soares e o já falecido Cabo CAR Arlindo Pais, que Deus tenha!... Tinha uma dependência em que estava situado um gabinete para o Comandante e outro ao lado para o 1º.Sagento, onde estava a secretária, os arquivos e os cofres fortes da CArt, onde eram guardados os valores próprios da mesma, como por exemplo, o “Fundo de Maneio”, valor que, no fim da comissão, seria devolvido à Rep. de Administração e Orçamento do QG/RMA, em numerário e em contas de Despesas da CArt, assim como o “Fundo Privativo”, de receitas próprias da Companhia, constituído pelas receitas de vendas de Cantina e de vendas de sobras de géneros e despesas com material de consumo corrente.  No fim da Comissão se entregavam contas que eram suportadas por este fundo, sendo o numerário remanescente entregue à RAO/QG/RMA.  
Secretaria da CArt3514 em Gago Coutinho
 Nesta altura junto uma terceira imagem do meu local de trabalho enquanto estive em Gago Coutinho, vendo-se por trás de mim, os dois cofres fortes e um cofre de campanha, tipo arca, fechado a cadeado. A minha área de trabalho está muito arrumada, o que significava uma acalmia na afluência de expediente que, frequentemente, era bastante . Havia luz eléctrica, pois é patente a presença de um candeeiro de secretária, mas se repararem bem vê-se também um outro meio de iluminação mais arcaico, representado por uma vela colada a uma tampa plástica, para as emergências. Este “post” já tem uma extensão bastante razoável e, por isso, vou ter que encerrá-lo, enviando cordiais saudações a todos os elementos da CArt 3514 e seus familiares, para todos os elementos da CArt 785/BArt 786 e da CArt 2396/BArt 2849 e ainda para todos os eventuais visitantes deste Blogue que se derem à paciência de me ler, estejam onde quer que seja. Para todos um até breve com um abraço de amizade do Camarada e Amigo,
Octávio Botelho