Síntese biográfica do meu percurso em África durante a Guerra Colonial o0o Mobilizado como Furriel do QP, de 1965 a 1967 integrado na CArt 785/BArt786 formado no RAP-2, para prestar serviço na RMA – Angola, no Sub-Sector do Quitexe , Sector de Carmona, destacado na Fazenda Liberato, Fazenda S. Isabel e novamente Fazenda Liberato de onde regressei á Metrópole o0o Mobilizado como 2º Sarg. de 1968 a 1970, em rendição individual para RMA- Angola e colocado no GAC/NL em Nova Lisboa , Huambo, mais tarde transferido por troca, para Dinge em Cabinda integrado na CArt 2396/BArt 2849, formado no RAL.5, regressei no final da comissão a Nova Lisboa de onde parti para Lisboa, a bordo do paquete Vera Cruz onde viajei também na primeira comissão o0o Mobilizado como 1º Sarg. de 1972 a 1974 integrado na Cart3514, formada no RAL.3, para prestar serviço na RMA- Angola , no Sub-Sector de Gago Coutinho (Lumbala Nguimbo) província do Moxico, onde cumprimos 28 meses, em missão de protecção aos trabalhos de construção da “Grande Via do Leste” num troço da estrada Luso – Gago Coutinho – Neriquinha – Luiana. Regressei em 1974, alguns meses depois de Abril 1974, tal como na viagem de ida, a bordo dum Boeing 707 dos TAM,.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Capª. III - Nova Lisboa - Saída para Cabinda

Depois de decorridos os trâmites para a minha troca com um camarada de uma Unidade de Reforço à Guarnição Normal(Unidade Expedicionária Metropolitana) que era propriamente designada como CArt 2396/BArt 2849-RAL-5, despedi-me de Nova Lisboa, cidade que tinha um clima fabuloso, muito semelhante ao clima mediterrânico, onde nunca passei um inverno tropical em que, diziam as pessoas que lá viviam em permanência, as águas chegavam a congelar superficialmente em tanques ou recipientes  que ficassem durante a noite ao ar livre e chegavam a ocorrer geadas nalgumas noites mais frias. Nunca cheguei a verificar tais fenómenos, mas eles existiam. Assim, num curto lapso de tempo, que não ultrapassou mais de um mês, chegou ao GACNL a nota do QG/RMA autorizando a troca, desencadeando a minha marcha para Luanda e dali para Cabinda. Para Luanda, o transporte utilizado foi um dos autocarros da EVA, um percurso com duração de oito horas.

2ºs.Sargentos Botelho e Costa, na Messe de Sargentos do Pangamongo
. De Luanda para Cabinda, foi utilizado como transporte uma LDG da Armada Portuguesa, um bom transporte para mercadorias ou materiais, mas para pessoal, era de uma pobreza franciscana, pois não tinha as condições mínimas para tal.  O que valeu é que foi numa época em que fazia bom tempo e ter sido feita a deslocação durante o dia, proporcionando-nos a oportunidade de fazer “Whale watching” gratuito, tendo as baleias acedido a proporcionar-nos um espectáculo de saltos e mergulhos durante a viagem que,  para mim e muitos outros, foi único e será irrepetível. À chegada a Cabinda, estava à minha espera uma coluna de duas viaturas, composta por um jeep e uma Berliet, pertencentes à Companhia a que estava destinado e seguimos para Lândana(antiga Vila Guilherme Capelo). Passámos em seguida pelo Dinge(sede do BArt  2849), onde se fez uma pequena paragem para apresentação e após esta, seguimos para Pangamongo, aquartelamento da CArt 2396, que ocupava instalações da CCC(Companhia de Celulose de Cabinda), com muito boas acomodações tanto para oficiais como para sargentos e praças. Nas proximidades, na margem direita  do rio Chiloango, no ponto em que entrava em território português, estava instalada a serração da CCC, onde a madeira era transformada em chaprões e transportada para o porto de Cabinda para ser exportada para os diversos destinos. O aquartelamento  ficava situado numa óptima posição defensiva, apenas tinha uma única via de acesso possível, ficando  sobre uma elevação,  excelentemente  protegido de acessos invasivos.

Frente:Cap.Novais, Luís Piçarra,Furriéis Neto,Figueiredo,(?), Antunes,Bogalho,Abrantes e 2º.Sarg.Botelho.Atrás: Furrieis Murta e Gonçalves,D.Manuela,Linda Mara e Ilusionista,Isabel,Tó Zé e Furrieis Runa e Pais da Costa
Após ter-me apresentado, foram indicar-me as minhas instalações, que eram as mesmas do sargento que ia substituir e que esteve comigo cerca de quatro a cinco dias a integrar-me na mecânica das funções de um primeiro sargento e a fazer-me a entrega dos serviços da sua responsabilidade. Foi para mim uma estreia, pois nunca tinha desempenhado aquelas funções. A CArt 2396, era uma Companhia Operacional, tinha um Destacamento no N’Cuto, a nível de Secção e dois GC destacados em zonas de alto risco em que, para se deslocarem numa distância de 10 Km, tinham que usar ou o detector de minas ou a “pica”, um espeto de metal,  para detectá-las. A picada era rasgada em plena floresta e tinha-se  que ter cuidado para não ser derrubado de cima das viaturas ao passar por lá. Era a floresta do Maiombe, comparável quase à da Amazónia. Os GC estavam aquartelados em locais como o Chimbete e o Sangamongo, qual deles o pior, tanto em acomodações como em condições de segurança.

Crachá do BART 2849
.Estou a lembrar-me de um oficial que foi ferido numa acção  de combate e que se chamava Santos, que ficou com uma boa quantidade de estilhaços no corpo  e foi, por isso, hospitalizado em Cabinda e da resposta algo dura que  deu ao comandante da Unidade, quando o foi visitar ao Hospital e o interrogou, quase como que a responsabilizá-lo pelo azar que tivera. Mas mudemos de assunto e passemos a outro tema: O da minha sobreposição com o 2º.Sargento que estava a responder e que eu viera substituir. Chamava-se(e chama-se, espero!...) Eduardo Costa e fora prisioneiro de guerra do Neru, em 1961, a quando da invasão do Estado Português da Índia. Como disse acima, esteve comigo cerca de quatro a cinco dias e findos estes, partiu para Nova Lisboa para o meu lugar, mas também para junto da esposa, que lá estava.  E, neste aspecto, ficou a ganhar mais do que eu com a troca que fizemos, embora eu também me sentisse suficientemente compensado no aspecto económico-financeiro, pois na situação em que ficava, estava bem melhor que em Nova Lisboa sob muitos aspectos. O Comandante de Companhia, em todas as áreas, uma excepcional pessoa, tinha consigo a sua esposa, que era professora e dava aulas, num posto escolar oficial que lá fora propositadamente instalado, às crianças filhas dos funcionários da CCC, e as suas duas filhas e um filho. Residiam numa casa, fora do Aquartelamento, que pertencia á Companhia madeireira. Era o seu nome António Novais, a sua esposa chamava-se Manuela e as filhas Isabel e Xana. O filho António José(Tó Zé). Consideravam-se como família de todos os militares e os aniversários deles  eram festejados com toda a Companhia e, francamente, das minhas três comissões a Angola, considero esta a melhor de todas, pois foi a que mais ambiente  familiar proporcionou aos militares. Em segundo lugar(e que me perdoem estes) ficou a terceira, a dos “Panteras Negras”. Relativamente à primeira, não teve comparação alguma com nenhuma das outras e apenas existiu entre os militares uma grande camaradagem e espírito de corpo. E, já agora, estou a notar que, contra o costume, este “post” está a ficar um bocado longo. Vou terminar enviando cordiais saudações a quem se der ao trabalho de me ler, mas em especial a todos os elementos das Companhias das minhas três Comissões em Angola e despeço-me até à próxima oportunidade, desejando a todos um próspero Ano de 2012, com   um abraço de amizade para todos. Até breve!...
Octávio Botelho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Capº.II - Nova Lisboa e algumas recordações

A guerra de Angola, em Nova Lisboa, no pouco tempo que lá permaneci, parecia um assunto de outro mundo muito distante, pois dela pouco ou quase nada se ouvia falar. É certo que as Unidades de Nova Lisboa, tais como o RINL (Antigo RI 21 e o GACNL, tinham Companhias de Caçadores e  Baterias de Campanha destacadas em lugares bastantes afastados das respectivas sedes, em locais como o Cuemba(Bié) e Luso (Moxico), ocupadas em missões que envolviam os riscos inerentes ás suas funções próprias e lá, de vez em quando, se ouvia falar de ocorrências de ataques do MPLA, dado que esses efectivos se encontravam numa zona tampão muito sensível, precisamente em locais que intermediavam entre a zona de acção dos dois ML (MPLA e UNITA). Existiam mais duas Unidades, que eram o Quartel-General da ZMC e a EAMA, mas estas   não eram operacionais, sendo a primeira um  QG e a segunda um Estabelecimento Escolar Militar, onde se ministravam em Angola os COM e CSM. Em complemento tinha outras pequenas Unidades, tais como um PAD, uma Delegação da Manutenção Militar e ainda um DRM e uma Casa de Reclusão.
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Uma rua em Nova Lisboa
As Unidades  ficavam situadas na periferia da cidade, já numa zona rural, nos arredores do Bairro de Stº.António e junto ao IIVA (Instituto de Investigação Veterinária de Angola) um estabelecimento de ensino e investigação na área da Agro-Pecuária, muito conceituado e único em todo o território angolano. A vida nas Unidades era idêntica à das Unidades Metropolitanas. Os militares que lá prestavam serviço, não tinham as mordomias dos que estavam em Luanda e no mato, pois não tinham direito nem a alimentação completa e alojamento e apenas recebiam o vencimento base e o complementar e não tinham a subvenção de campanha. Resultava disto que tínham apenas direito a almoço p/conta do Estado. Quanto ao resto era por sua conta. Tínham que pagar numa pensão, o quarto, o pequeno-almoço, o jantar e a lavadeira. Era uma situação tão apertada que, quando chegava o fim do mês, pagávamos as contas do Bar, da pensão, lavadeira e ficávamos “tesos” sem um “tusto” para qualquer outro imprevisto, tal como uma ida ao Cine Ruacaná, uma refeição fora, no Bar Martins, etc… Mas, por uma ajuda do destino, consegui um feito inédito, graças a uma troca que fiz com um camarada 2º.sagento como eu, que estava numa unidade de reforço à GN (Unidade Expedicionária, do RAL-5) que se encontrava em Cabinda, e que tinha a sua família estabelecida em Nova Lisboa; sucedera que tinha estado ali numa Comissão Voluntária e, quando esta terminou e regressou à Metrópole  foi logo apanhado para uma Comissão por Imposição, mas em Cabinda. Estava então ele em Cabinda e a mulher em Nova Lisboa, numa situação algo desconfortável. Ele, como tinha uma “cunha” no QG/RMA, conseguiu que fossse realizada a troca, fazendo ele o requerimento  e eu apresentando uma declaração como aceitante.Assim se fez e, rapidamente, foi o assunto resolvido!...Marchei para Cabinda, onde, embora isolado, fiquei numa situação económica mais  desafogada, pois tinha alimentação e alojamento e ainda recebia a subvenção de campanha .Isto permitiu-me aumentar a soma da minha pensão para casa e ainda ficar com um remanescente mais confortável de dinheiro para os meus gastos pessoais. Mas ainda antes de sair de Nova Lisboa para Cabinda, estou a recordar-me de um episódio trágico ocorrido nesse lapso de tempo com militares do GACNL. Conta-se em  poucas palavras:
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Jardim Público em Nova Lisboa
Estavam, numa determinada data que  não recordo, nomeados Sargentos de Dia ao Grupo e a uma das Batarias, um Furriel e um 1º.Cabo Milº., como então eram designados, por sinal, dois grandes amigos.  O Furriel e o Cabo Miliciano, acompanhados do Oficial de Dia, tinham acabado de passar a revista ao Quartel, após o Render da Parada e estavam os dois junto ao Posto Rádio das TRMS, na cavaqueira. Estavam armados os dois com a pistola Walther. De repente, sai-se o Fur.Milº. com esta, frase,  dirigindo-se ao Cabo Milº.: "Ó F…, eu vou-te matar, agora"!...E, acabando de dizer estas palavras, sacou da Valther e apontou-a  ao Cabo Milº, disparando um tiro, que atingiu em pleno peito o seu amigo, matando-o instantaneamente. O atirador ficou  como que “fulminado” transformado em estátua  durante uns segundos e ao consciencializar o que tinha acontecido na realidade, entrou num ataque de loucura, pelo que teve de ser dominado pelos circunstantes que o  transportaram ao Posto de Socorros, onde foi sedado. Quanto ao falecido, uma vez confirmado o óbito no próprio local da ocorrência, foi-lhe dado o conveniente destino. Por  hoje vou terminar, enviando cordiais saudações e aproveitando ao mesmo tempo a oportunidade para, nesta quadra festiva que se aproxima, formular os meus  votos  de um Feliz Natal, com muita felicidade, compreensão e saúde para os eventuais visitantes que se derem à paciência de me ler. Um abraço, com amizade, para todos e até breve!...
Octávio Botelho

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

2ª.PARTE - CAPº. I - A minha segunda comissão a Angola

Como disse no término da 1ª.Parte destas Crónicas, embarquei em Luanda em 24JUL67, a bordo do paquete “Vera Cruz”, iniciando uma viagem que duraria nove dias e a partir dessa data estava logo incluído na escala para uma nova Comissão. Desembarquei em Lisboa no dia 3 de Agosto e, nesse mesmo dia apresentei-me no DGA, onde foi dada requisição de transporte e saída na Guia de Marcha para o RAP-2, Vila Nova de Gaia, hoje Regimento de Artilharia da Serra do Pilar. Ali fiquei a aguardar colocação e  definição da minha situação militar, que só ficou resolvida em l3 de Agosto. Fiquei colocado no RAP.2 e em Diligência na BAG-l, em Ponta Delgada, enquanto estive com licença de desmobilização, que era de 20 dias(10 dias por cada ano de Comissão). Só em 15 de Agosto de 1967 é que consegui chegar à minha casa e junto da minha família num dia tão memorável. À minha espera, tinha uma festiva recepção que os meus familiares me tinham preparado. Iniciei a minha licença e, finda esta, entrei ao serviço na minha Unidade de origem, a BAG Nº.1, prestando serviço na Secção de Mobilização. Continuava colocado no RAP-2, em diligência na BAG-l, situação que dava direito a um abono suplementar no vencimento, de cerca de 20$00 diários. Findos os vinte dias de licença fui colocado efectivamente na minha Unidade, a BAG-l.
Desfile no Juramento de Bandeira, no GAC/NL, em 1968
Para não estar a maçar desnecessariamente, vou já dizendo que, depois de uma permanência de cerca de pouco mais de um ano e, aí pelo último trimestre de 1968, estava novamente nomeado para outra Comissão, novamente em Angola, desta vez não incluído numa Unidade do tipo Batalhão, como da primeira vez, mas em rendição individual, o que queria dizer que tinha sido indigitado para substituição de um militar de igual graduação que tinha sido abatido por motivo de evacuação por doença, ou falecido em acidente de viação ou quem sabe, em combate. Era um dos pormenores que nunca nos diziam sobre a causa do abatimento do militar que íamos substituir, nem tão pouco o seu nome, porque se o publicassem, havia maneiras de se saber o que lhe acontecera!...Assim, mais uma vez, uma viagem até Lisboa, de barco, mas já no paquete”Funchal”,em vez do velho “Carvalho Araújo”, as inevitáveis despedidas que tanto custavam e, passados 3 dias já estava em Lisboa, apresentando-me, desta vez no DGA, a aguardar embarque para Luanda, novamente no "Vera Cruz".

Vista da cidade de Nova Lisboa(Huambo)
.Após os 9 dias de viagem, em vez de ir para o Grafanil, desta vez fui mandado apresentar no GACL, onde estive alguns dias  a aguardar colocação. Por fim, foi-me conferida Guia de Marcha para o GACNL, uma Unidade da Garnição normal de Angola. Fui colocado no PCS, prestando serviço na Bataria de Mobilização, serviço com que estava familiarizado na minha Unidade de origem. Passei a fazer Guarda de Polícia à Porta d’Armas, a auxiliar do Gerente da Cantina das Praças e a ajudar na Escola para Crianças Indígenas, na distribuição de Lanches. Não sei explicar a razão da existência dessas aulas no Quartel, ,mas elas existiam, de facto. Depois haviam as incorporações de recrutas, os Juramentos de Bandeira, tudo fazendo lembrar a rotina das Unidades Metropolitanas e  Insulares. Ali passei já o Natal de 1968 e, pouco depois, tive de ser internado no Hospital Central de Nova Lisboa, onde fui submetido a uma pequena cirurgia. Estavam já com idéias de me destacarem para uma das Batarias de Campanha destacada em Cuemba, Bié, que era um local que, naquela altura, não era para brincadeiras, pois ficava precisamente numa zona de grande atrito entre o MPLA e a UNITA e as NT, ficavam no meio dos dois Movimentos e carregavam pela medida grossa. Mas quem estava a pressionar para serem os sargentos novos os destacados, eram os veteranos da Unidade que eram sempre considerados mais antigos que os recém-chegados, por mais comissões que estes tivessem no lombo!...Eu, que já conhecia sobejamente o cenário da guerra, não estava a ficar muito contente com
Ceia de Natal de 1968, no GAC/NL
o andamento das coisas e não tinha, francamente, saudades nenhumas de me ver em tais andanças. A propósito disto, estou a lembrar-me de uma ocorrência única que verifiquei enquanto permaneci no GACNL. Encontrava-se lá um Fur.Milº. a quem sucedia um raro fenómeno!...Bastava-lhe pegar numa ração de combate para ele ter uma reacção alérgica que lhe punha toda a pele do corpo vermelha e ficava com a cara e as mãos completamente inchadas e tinha que ser tratado com anti-histamínicos!...Em todos os meus seis anos de serviço em África, este foi um caso único de "alergia" às rações de combate que,  de facto, verifiquei!...Por hoje, vou terminar,pois este "post" está a ficar um pouco longo. Cordiais saudações a quem se der à paciência de me ler e despeço-me até ao próximo Capítulo. Até lá!...
Octávio Botelho

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Adendas

ADENDA – I (Final da Comissão) Após ter encerrado o último post deste Blogue, por intermédio de um elemento da CCS/BArt 786, ex-fur.mil.º.Lapa, recebi as informações que seguem e que faltavam citar, por tê-las esquecido:
- Final da Comissão : - 28MAI67
- Fomos rendidos no Liberato, pela CCav 1707/BCav 1917, em 06JUN67
- A CArt 784, em Stª.Isabel  pela  CCav 1705/                            
- A CArt 783, em Zalala, pela CCav 1706                                   
- Embarque em Luanda em 24JUN67
- Desembarque em Lisboa em 03JUL67
ADENDA- II - Militares da CArt 785 condecorados:
Contrariando o meu propósito de, nestas Crónicas, não dar protagonismo nem a mim próprio nem a outrem achei por bem fazer uma excepção, colocando nesta Adenda uma relação dos Militares da CArt 785, condecorados pela sua actuação durante a sua prestação de serviço em Angola:
Com a Medalha de Cruz de Guerra de 3ª.Classe:
- Alf.Milº. Artª. - Henrique Pereira da Costa Tavares
- Fur.Milº.Artª.  - Valentino Manuel Francisco Xavier Viegas
-                    - Luís Carmona de Jesus
Com a Medalha de Cruz de Guerra de 4ª. Classe:
- Sold. Artª. - Cândido dos Santos Ferreira
-                - João dos Santos Antunes
-                - José da Silva Gonçalves
-                - José de Jesus dos Reis
Com a Medalha de Valor Militar de Cobre:
- 1º.Cabo Artª. – Carlos Manuel Soares de Andrade
Cordiais saudações para todos os elementos da CArt 785/BArt 786, do camarada  amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

CAPº. - XXIV - Final da 1ª.Comissão em Angola

A história desta minha primeira comissão de serviço na ex-colónia de Angola chegou ao fim. Teve o seu fim, por volta de meados do ano de 1967. Mas falta ainda salientar o “stress”final dos últimos dias , com a preocupação de arrumar todos os nossos  parcos haveres, arrumar todos os nossos compromissos com o pessoal nativo, em especial a lavadeira, para que nada se lhe ficasse a dever, quer pelo seu consciencioso trabalho, quer pela sua dedicação que era exemplar, pois era extremamente limpa e apresentava-me as roupas sempre impecavelmente limpas e bem tratadas, apesar de ser uma mulher já com uma idade avançada e com um considerável rebanho de netos que, invariavelmente, a acompanhavam quando contactava comigo!...
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Partida do Liberato para Luanda
Contei-lhe, pelo menos,  uns cinco miúdos, com idades entre os dois e os sete anos. Como tinha poucas coisas que arrumar, tudo se resolveu rápido e, finalmente, chegou o tão esperado dia em que seríamos substituídos por uma CCaç, que fazia parte integrante de um BCaç, que iria ficar com sua sede em Quitexe e as CCaç distribuídas pelos mesmos locais em que se encontravam as nossas CArts.: Liberato, Santa Isabel e Zalala. Pois, como ia dizendo, chegou finalmente o dia em que desembocou no Terreiro da Liberato a Coluna Auto que trazia os nossos substitutos e que nos iria também transportar, dois dias depois para Luanda, iniciando-se, assim, o tão desejado regresso a casa e aos nossos familiares. Decorridos esses dois dias, lá estávamos nós no meio da maior excitação, a ocupar os lugares que ocuparíamos na nossa viagem até Luanda e Campo Militar do Grafanil.
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Partida do Liberato para Luanda
Com toda aquela confusão, nunca tive a oportunidade de, aos meus mais directos colaboradores e, agradecer a colaboração e apoio que em todas as situações me dispensaram. Estou a referir-me ao pessoal do meu GC em geral, desde o Comandante, ex-Alf.Tinoca, até ao ultimo militar do meu GC, abrangendo assim todos os meus Camaradas, furriéis do QC(Milicianos), o saudoso Luís J.P.Pinto(falecido em 24/04/66, num acidente de viação), o António C.Costa, que o substituiu e finalmente o Claudino F.S.A.Henriques. Quero deixar também aos elementos da minha Secção um agradecimento especial  por todas as atenções e apoio que me deram em muitas e diversas situações durante as missões que desempenhámos em conjunto. A composição da minha Sec. de Combate era a seguinte:
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Partida do Liberato para Luanda
1ª.Sec.Atiradores/3º.GC/CArt 785/BArt 786:
-Comandante : -Fur.Artª. Octávio Barbosa Botelho
-Esq.Metr.Lig.:-1º.Cabo 4522/64- Cândido Xavier Alves
                          Soldado 4518/ “ –João do Vale Matos
                            “          4525/ “ –Manuel de Oliveira Magalhães
 -Esq.de Atir: - 1º.Cabo  4532/ “ -Joaquim das NevesTeixeira
                         Soldado  4528/ “ -António Machado Araújo
                              “        4535/” - Joaquim da Silva Fernandes
                             “         4536/ “ -Albérico Pompílio da Cunha
                             “         4539/ “ -Eduardo Fernandes Guedes (a)
 -Cond.Auto         “         5230/ “ –Agostinho Francisco Vieira
(a) – Desempenhava o cargo de Padeiro da CArt 785
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Chegada ao Cacuaco em Luanda
E, assim, encerro a narrativa da minha primeira Comissão em Angola, que decorreu de 06JUN65  a  0? JUN67,  período este preenchido com muitas situações de perigo, aventuras e peripécias diversas, em que sempre esteve manifesta a lealdade e camaradagem que são o timbre dos militares portugueses em situações semelhantes. Aos meus antigos camaradas da CArt 785, em especial aos elementos do meu Grupo e Sec. Comb., desejo as maiores felicidades e reitero os meus agradecimentos por todas as atenções que tiveram para comigo e faço-o por considerar que excederam em muito os normais deveres impostos pela disciplina militar.  Para todos um abraço do Camarada e amigo,
Octávio Botelho

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

CAPº. - XXIII - Nova visita do azar

Decorria  mês de Março do ano de 1967. Encontrávamo-nos pela segunda vez  na Fazenda Liberato, a cerca de uns três ou quatro meses da data prevista para o fim da nossa missão na ex-colónia de Angola. Mantinha-se no entanto em alta a actividade Operacional que, tal como do antecedente se vinha a verificar. Além dos serviços operacionais, havia, naturalmente, os movimentos relacionados com os reabastecimentos logísticos, essenciais para se poder prover a todas as necessidades vitais de uma Companhia em plenas funções. Assim, naquele dia, 28MAR67, fora nomeada uma escolta para se fazerem os necessários reabastecimentos, tendo essa escolta sido organizada com o pessoal disponível no aquartelamento para o efeito. Cerca das 09H00 e depois da 1ª.Refeição, partiu a coluna do Liberato com destino a Quitexe, composta por duas viaturas:  um Unimog 411 e um camião Mercedes Benz e o efectivo de 1 Sec/Comb+(*). A cerca de meia viagem, perto da antiga e já abandonada sanzala do Cólua, numa zona com espessa vegetação marginando a picada numa extensão de cerca de cem a duzentos metros  acontece o inédito e o imprevisto: Sobre a primeira viatura da coluna auto e com origem na parte posterior da máscara de vegetação existente no bordo da picada, irrompe um cerrado tiroteio de armas ligeiras, tipo pistola-metralhadora, num número provável de dois atiradores, que veio atingir três militares:
Família de elefantes invadindo a estrada, em África

Um que seguia de pé, logo atrás da cabina, a que se apoiara, um outro, que seguia sentado  num banco corrido e, quase em simultâneo, o condutor da “Mercedes”. O primeiro atingido, teve morte instantânea; o segundo foi atingido no rosto com um projéctil que lhe atravessou de lado a lado a cavidade bucal e o condutor foi atingido num joelho que ficou bastante danificado e com sequelas posteriores permanentes. E não houve mais atingidos, devido à pronta reacção do pessoal da escolta, que pôs os agressores em debandada. O morto foi enterrado no cemitério do Quitexe tendo, mais tarde, sido trasladado para a terra da sua naturalidade. O ferido na cara, foi plenamente recuperado, pois no seu azar, teve a sorte de não ter sofrido danos de maior na estrutura óssea dos maxilares. Quanto ao condutor, esse não recuperou tão bem dos ferimentos, e eu próprio o encontrei, há uns anos e passados que tinham sido uns trinta e três  anos, ficou permanentemente marcado, pois ficou a coxear, uma vez que a sua recuperação não foi total!... Quanto ao militar falecido, vou aqui e agora revelar que se chamava António Teixeira Fernandes, do 1º.GC/CArt 785, natural de Braga, mais conhecido por “O Faia”, entre os seus camaradas. O Sold. Condutor, de nome José de Jesus Reis, hoje, Deficiente das Forças Armadas e quanto ao outro ferido, não consigo, por mais voltas que dê, relembrar o seu nome. Quanto ao António Teixeira Fernandes, deixo-lhe aqui as minhas homenagens, assim como a de todos os restantes camaradas elementos da CArt 785, garantindo-lhe que a sua memória perdurará enquanto existir o último dos seus camaradas. Um dia nos encontraremos de novo!...Até breve!...E eram estas as contingências a que se expunha um militar. Neste caso, estávamos no fim de uma missão se serviço, pedindo a Deus e a todos os Santos que nos afastassem dos contratempos e adversidades e acontecem, inopinadamente, ocorrências idênticas à que acabo de descrever e  que, na verdade, se revelaram como um autêntico balde de água gelada !...Ocorrências inesperadas, sim,  mas possíveis de acontecer, dadas as circunstâncias vigentes naquela época de incertezas. Vou terminar, por hoje, enviando cordiais saudações a todos quantos se derem à paciência de me ler. No próximo Capítulo, relatarei outras histórias. Até lá!...
N.R.(*)-Sec./Comb+ = Secção de Combate Reforçada.
Octávio Botelho